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Andador para bebê é recomendado? O que diz a Sociedade Brasileira de Pediatria

Não. A SBP considera o andador com assento perigoso e desnecessário e faz campanha pela proibição. Por que ele não acelera o andar, quais os acidentes mais comuns e o que usar no lugar.

Por Henrique Holanda · Publicado em · Atualizado em

Bebê dando passos na grama, segurando as mãos do pai e da mãe
Foto: Quilia / Unsplash

A pergunta chega de duas formas: "andador para bebê é bom?" e "com quantos meses pode usar andador?". A resposta da Sociedade Brasileira de Pediatria é a mesma para as duas: não use. Este texto explica o motivo com as fontes, diz o que a lei brasileira diz de fato sobre a venda e mostra o que usar na fase em que o bebê quer ficar em pé.

O que é o andador com assento

É a estrutura com rodinhas e um assento de tecido no meio, em que o bebê fica pendurado pelas pernas e se impulsiona com a ponta dos pés. Costuma ser vendido a partir dos 6 meses, "para o bebê aprender a andar". Não confunda com o brinquedo de empurrar, um carrinho com alça que o bebê, já em pé por conta própria, empurra à frente. São produtos diferentes, com riscos diferentes, e voltamos a ele no fim.

A posição da SBP

A Sociedade Brasileira de Pediatria mantém desde 2015 uma campanha pela proibição dos andadores infantis e enviou ao Inmetro uma carta pedindo que o produto deixasse de ser certificado. Os argumentos da entidade:

  1. Ele não ensina a andar. No andador, o bebê se move na ponta dos pés, com o tronco apoiado no assento e sem precisar equilibrar o corpo. Andar exige o contrário: pé inteiro no chão, tronco sustentado pelos músculos e equilíbrio sobre uma perna de cada vez. Os estudos citados pela SBP e pela Academia Americana de Pediatria mostram atraso, não antecipação, nos marcos de sentar, engatinhar e andar entre bebês que usam andador.
  2. Ele dá ao bebê uma velocidade e um alcance que ele não tem. Um bebê de 7 meses no andador anda a cerca de 1 metro por segundo e chega a lugares que, engatinhando, só chegaria meses depois: fogão, mesa com toalha, vaso de planta, escada.
  3. Os acidentes são graves. A queda de escada com o andador é o acidente típico, e o bebê cai de cabeça com o peso do aparelho. Também entram queimaduras por puxar panela e toalha, afogamento em piscina e balde e intoxicação por alcançar produto de limpeza.
  4. Ele rouba o tempo de chão. O engatinhar e o levantar apoiado nos móveis são aprendidos no chão. Cada hora no andador é uma hora a menos de treino.

A Academia Americana de Pediatria recomenda a proibição da fabricação e da venda nos Estados Unidos desde os anos 1990. O Canadá proibiu a venda em 2004.

O que diz a lei no Brasil

Aqui é preciso ser exato, porque circula muita informação errada: a venda de andador não é proibida no Brasil. Houve dois projetos:

  • O PL 4926/2013, na Câmara dos Deputados, foi rejeitado em comissão.
  • O PLS 50/2013, no Senado, foi aprovado em comissão em 2013, mas não virou lei.

Então o andador continua à venda, inclusive com certificação do Inmetro, que atesta a segurança mecânica do produto (bordas, estabilidade, freio), não a adequação ao desenvolvimento. O selo, nesse caso, não muda a recomendação da pediatria. Por isso este site não indica andador com assento em nenhuma situação, mesmo os que têm selo.

"Mas eu usei e não aconteceu nada"

É o comentário mais comum, e é verdade para a maioria das famílias: a maior parte dos bebês que usou andador não se machucou. O problema é o tamanho do dano quando acontece. A queda de escada com andador é uma queda de cabeça, com o peso do aparelho em cima, de um bebê que não sabe se proteger. Não é um tombo de bumbum no tapete. A pediatria pondera a frequência contra a gravidade, e contra o benefício, que no caso do andador é zero.

Jumper, cadeirinha de pular e centro de atividades

O jumper de porta (o bebê fica pendurado num elástico e pula) e a cadeirinha de pular não são andadores, mas a lógica é a mesma: o bebê fica suspenso, na ponta dos pés, e não treina nada que use depois. A SBP não os recomenda. O centro de atividades fixo, sem rodas, é menos arriscado porque não se desloca, mas ainda prende o bebê numa posição. Se usar, que seja por poucos minutos, como o cercadinho.

O que usar no lugar

Até ele ficar em pé: o chão

Não há produto para essa fase. O que ajuda o bebê a andar é engatinhar, sentar, girar, se puxar pelo sofá e cair sentado cem vezes. Um tatame protege as quedas, brinquedos que se afastam dão motivo para ir, e a casa protegida (checklist por cômodo) deixa você relaxar enquanto ele explora.

Quando ele já se levanta sozinho: o brinquedo de empurrar

Por volta dos 10 a 12 meses, quando o bebê se puxa para ficar em pé apoiado no móvel e anda de lado segurando no sofá, entra o brinquedo de empurrar: um carrinho com alça na altura do peito dele. A diferença para o andador é total: o bebê só consegue usar se já fica em pé, sustenta o próprio peso e anda com o pé inteiro no chão. O carrinho dá apoio para as mãos, não para o corpo.

Bebê em pé ao lado do sofá, segurando um brinquedo de madeira
Bebê em pé ao lado do sofá, apoiado no móvel: a fase em que o brinquedo de empurrar começa a fazer sentido.Foto: Rodrigo Pereira / Unsplash

O que olhar: base larga, para não tombar quando ele se pendura na alça; rodas com resistência ou freio ajustável, para não disparar no piso liso; e certificação do Inmetro no anúncio. Com 1 ano, os modelos com painel de atividades na frente duram mais porque viram brinquedo de sentar depois.

Andador e brinquedo de empurrar, lado a lado
O que mudaAndador com assentoBrinquedo de empurrar
PosturaPendurado pelas pernas no assento, na ponta dos pésEm pé por conta própria, com o pé inteiro no chão
Quem sustenta o pesoO assentoAs pernas dele; o carrinho só apoia as mãos
Quando entraVendido a partir dos 6 mesesSó quando ele já se levanta sozinho, por volta dos 10 a 12 meses
VelocidadeCerca de 1 metro por segundo aos 7 mesesO passo dele, com rodas com resistência ou freio
Indicamos?Não, em nenhuma idadeSim, com certificação do Inmetro

Pés: descalço, e meia só pelo frio

Dentro de casa, o melhor "calçado" para aprender a andar é nenhum. O pé descalço sente o piso, agarra e manda informação ao cérebro. Meia antiderrapante entra quando faz frio, e sapato de sola flexível só para a rua. Sapato de sola rígida "para firmar o pé" não firma nada; a Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda.

Bebê descalço andando na areia, segurando as mãos de um adulto
Bebê descalço, andando de mão dada com um adulto.Foto: Kelsey Farish / Unsplash

Resumo para quem chegou pelo título

  • Andador com assento: não, em nenhuma idade. Posição da SBP e da Academia Americana de Pediatria.
  • Venda no Brasil: permitida, apesar da campanha pela proibição. O selo do Inmetro não muda a recomendação.
  • O que acelera o andar: tempo de chão, não equipamento.
  • Alternativa quando ele já fica em pé: brinquedo de empurrar, com certificação do Inmetro.
  • Se alguém da família insistir, mande este texto e a página da campanha da SBP.

Os produtos abaixo seguem as regras do site: só o que faz sentido para a fase, com certificação do Inmetro declarada no anúncio, e sem preço no texto. Confira o selo na página da Amazon antes de comprar.

Produtos citados neste artigo

Como participante do Programa de Associados da Amazon, sou remunerado pelas compras qualificadas efetuadas.

No lugar do andador

Brinquedo de empurrar (carrinho de atividades)

Fisher-Price, Tiny Love ou similar

É a alternativa ao andador: o bebê fica em pé por conta própria e empurra. Só a partir do momento em que ele já se levanta sozinho apoiado nos móveis. Prefira os de base larga e rodas com freio ou resistência. Confira a certificação do Inmetro no anúncio.

  • Base larga, que não tomba para a frente
  • Rodas com freio ou resistência
  • Certificação do Inmetro no anúncio
Para piso frio

Meia antiderrapante para bebê

Lupo, Puket ou Pimpolho

Para piso frio ou liso na fase de ficar em pé. Dentro de casa, pé descalço continua sendo o melhor; a meia entra quando faz frio.

  • Antiderrapante na sola toda
  • Tamanho certo para a idade

O preço e a disponibilidade são os da página da Amazon na hora em que você abrir. Antes de comprar, confira no anúncio o selo do Inmetro, quando ele é obrigatório, ou a norma indicada no texto.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria, campanha pela proibição dos andadores
  2. SBP, carta ao Inmetro sobre andadores infantis (2015)
  3. Câmara dos Deputados, comissão rejeita proibição de andadores (PL 4926/2013)
  4. Senado Federal, PLS 50/2013 sobre andadores infantis
  5. Zubler JM et al. Evidence-Informed Milestones for Developmental Surveillance Tools. Pediatrics, 2022

Este texto é de um pai que pesquisa antes de comprar, não de um médico. Sobre o desenvolvimento do seu bebê, quem responde é o pediatra: leve a dúvida na próxima consulta e a Caderneta da Criança.

Perguntas frequentes

Andador é proibido no Brasil?

Não. Houve projetos de lei para proibir a venda (PL 4926/2013 na Câmara e PLS 50/2013 no Senado), mas nenhum virou lei. A venda continua permitida, e a SBP mantém a campanha pela proibição. No Canadá a venda é proibida desde 2004.

Andador ajuda o bebê a andar mais cedo?

Não. O bebê no andador se move com a ponta dos pés e sem equilibrar o tronco, que é o contrário do que o andar exige. Os estudos citados pela SBP e pela Academia Americana de Pediatria apontam atraso, não antecipação.

E o andador de empurrar, pode?

Pode, e é outro produto. O brinquedo de empurrar não tem assento: o bebê precisa ficar em pé sozinho para usá-lo, por isso só serve quando ele já se levanta apoiado nos móveis. Escolha um de base larga e confira a certificação do Inmetro.

Jumper (pula-pula de porta) é a mesma coisa?

Não é andador, mas a SBP também não recomenda, pelo risco de queda e porque mantém o bebê na ponta dos pés. Nenhum equipamento que suspende o bebê substitui o tempo de chão.